domingo, abril 08, 2007

Pensamentos em vão

Escrever gasta
e cansa.
As idéias reluzem,
chamam,
voam e se escondem.
Passo dias e noites procurando-as
mas creio que pousaram
em algum galho oco
e estão a espera de quem as tome
e faça delas melhor proveito.

domingo, março 25, 2007

Pedaços de mim

Baço, braço, abraço.
Cabelo, joelho, cotovelo. Céu.
Mão, sorriso, pernas, começo.
Pulso, artérias, suor. Ar.
Som, cor, sabor, sentir.
Dar, dor, dedo. Dúvidas.
Pulmão, rim, risada.
Vértebra, nádegas, beijo. Asas.

segunda-feira, março 12, 2007

Veio agora de passagem e julgou-se dono da razão

Quando uma única palavra te define
e essa palavra é: Mudar.
Não mudança. Não muda.
Mas o verbo. Ação. Presente.
Aqui Agora e Já.
Esse jeito, aquele modo.
Quando nada disso agrada,
nada faz tanto sentido.
Quero respirar o novo.
Tocar com a ponta dos dedos a palavra transformação.
E pode estar fria.
Áspera. Branda.
Espetar e até doer.
Mas... por que não tentar?

quinta-feira, março 01, 2007

Aquele silêncio, velho conhecido.

Flores vermelhas que sangram. Pulsam.
Dor. Solidão. Falta de tempo ou de sorte?
Estar só. Ser só.
Eu e eu.
Sem ele, ela. Sem nós.
Cem nós?
Amarras de silêncio que me machucam o pulso.
Prendem a circulação e matam.
De vazio.
Sensação de nada possuir. De nada me possuir.
Sozinha num canto. Aresta. Ponta afiada.
Corte mais profundo que faca.
Faca que tenho nas mãos e enfio no peito.
E espero cair, gota a gota, a ausência, despejando litros de verdades que não aceito, mentiras que conto a mim mesma e desejos irreais.

domingo, fevereiro 25, 2007

Sobre tom

Só quando tudo se queima a gente percebe o quão cinza o dia se torna.
Antes, ardência e torridez.
Agora, restos de solidão.
A Deus, digo adeus.
Não sei se vou voltar. A cantar, dançar.
Pois meu dia perdeu a cor.
O que restou, única mistura
Branco-no-Preto.
Preto-no-Branco.
E o meu arco-íris nunca mais.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Invocação

Deus dos sem deuses
Deus do céu sem Deus
Deus dos ateus
Rogo a ti cem vezes
Responde quem és?
Serás Deus ou Deusa?
Que sexo terás?
Mostra teu dedo, tua bunda, tua face
Deus dos sem deuses

Chico César

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Desilusão, ilusão instantânea

E achávamos que viver num jogo de luzes incandescentes, incessantemente rodopiando no ar, era ter a plenitude, no sentido liberto de viver. Alcançamos o êxtase, o ápice da imoralidade, a qual não julgávamos vazia. Iludimo-nos. Aquele mundo não nos pertencia. Estava ali, bem próximo de ser sentido, de ser tocado. Mas era só o que podíamos ver. Nossa alma não foi capaz de ir além, transceder. E ficamos ali. De um jeito só nosso. Contemplando as maravilhas de um lugar onde nem os sonhos são puros. E descobrimos que o que nos faz melhor vai muito além de sentimentos tão vazios quanto amores falsos.