segunda-feira, outubro 08, 2007

Tempo perdido

seguindo os segundos
reli os recados presos na geladeira.
o gelo não me abate, me congela.
estilhaça minhas lembranças em mil
segundos seguidos.

Fingindo ser cruel, meu bem.

O errado é querer ver com bons olhos quando se está no fundo do poço.
Eis onde estou: no fundo escuro e de olhos bem abertos.
Caí e me perdi. Perdi você, e foi bom.
Não pense que irei te procurar nos 'achados e perdidos' da minha vida.
Costumo esquecer as coisas lá, e elas não me fazem falta.
Você pode ainda ter a sorte de encontrar alguém que finja ser sua dona e te leve embora.
Aí eu sento e rio.
Não porque acho graça.
Mas porque rir é sempre o melhor remédio.

Singelo silêncio

Seria mesquinho e até vil acreditar que é facil ser só. Mal posicionada, corrijo-me: seria estúpido. Solidão é pra quem pode. Ser só é uma arte a qual não possuo padrão para encaixar-me. Solidão é um jardim. É repleto. Grama, flores e salgueiros. Onde encontram-se um cego, um surdo e um mudo, que conversam entre si. Despossuidores de sentidos, contendo a vida em suas liberdades de não serem o que são, têm a o destino nas mãos. Ser só é possuir-se. É deitar seu corpo em seu gozo, e acreditar que é inteiro. Sê inteiro, e sê só.

Ser Deus. Ser meu seguidor, meu sonho, minha madrugada.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Devaneio Três e último

Pessoas não gostam de entendimento, isso torna os dias mais densos. Por isso me compreender torna-me rarefeita e suspensa no ar, Feito pluma. Mas se num momento acreditar que não me explico, já não sei se levanto vôo. Por isso a minha própria compreensão cabe a você. Pois a ti caberia o trabalho simples de me definir e se contentaria com o tão pouco da minha vida. Minhas contradições me bastam e me lembrarei delas até o sempre. Se tomá-las e aprendê-las, tornariam-se fáceis e pareceriam segredos desvendados. Sem precisar de mapas para alcança-los, ou bússola para definir seu rumo.

Devaneio Dois

O lado árduo e íngrime da minha personalidade não desejaria ir. Ele gosta daqui, permanecer é seu desejo.

Devaneio Hum

Queria saber fazer rimas fáceis e bobas, pra contentar alguns poucos e não ser esquecida tão facilmente. O que estou a dizer? É pela simplicidade que quero ser lembrada?
Quero estar em cada subterfúgio imaginário, não da minha vida, pois dela já estou farta, mas dentro de ti.

domingo, agosto 19, 2007

Roubo: artigo 157 do Código Penal

Se ao menos uma mochila me sobrasse
havia de a pôr nas costas
E desataria a seguir o mundo velho.
Mas não restou nem os nós com que prendia
o crime ao castigo.
Roubaram-me os pensamentos.
Pena leve. Dano imaterial de valor incalculável.
Roubaram-me os sentimentos.
Mas estes de nada valiam.
Roubaram-me ela.
E agora, João? São Cosme? Damião?
Santo Antônio dos amores perdidos, ou nunca achados
Prometo a ti reza, oração e até promessa
Se trouxer de volta, em sete dias
meu prelúdio.
Mas, se no fim só encontrares
marcas dela sobre o chão
toma nas mãos um instrumento
e desafina notas perdidas
numa orquestra de sentidos singular.