sexta-feira, setembro 28, 2007
Devaneio Três e último
Pessoas não gostam de entendimento, isso torna os dias mais densos. Por isso me compreender torna-me rarefeita e suspensa no ar, Feito pluma. Mas se num momento acreditar que não me explico, já não sei se levanto vôo. Por isso a minha própria compreensão cabe a você. Pois a ti caberia o trabalho simples de me definir e se contentaria com o tão pouco da minha vida. Minhas contradições me bastam e me lembrarei delas até o sempre. Se tomá-las e aprendê-las, tornariam-se fáceis e pareceriam segredos desvendados. Sem precisar de mapas para alcança-los, ou bússola para definir seu rumo.
Devaneio Dois
O lado árduo e íngrime da minha personalidade não desejaria ir. Ele gosta daqui, permanecer é seu desejo.
Devaneio Hum
Queria saber fazer rimas fáceis e bobas, pra contentar alguns poucos e não ser esquecida tão facilmente. O que estou a dizer? É pela simplicidade que quero ser lembrada?
Quero estar em cada subterfúgio imaginário, não da minha vida, pois dela já estou farta, mas dentro de ti.
Quero estar em cada subterfúgio imaginário, não da minha vida, pois dela já estou farta, mas dentro de ti.
domingo, agosto 19, 2007
Roubo: artigo 157 do Código Penal
Se ao menos uma mochila me sobrasse
havia de a pôr nas costas
E desataria a seguir o mundo velho.
Mas não restou nem os nós com que prendia
o crime ao castigo.
Roubaram-me os pensamentos.
Pena leve. Dano imaterial de valor incalculável.
Roubaram-me os sentimentos.
Mas estes de nada valiam.
Roubaram-me ela.
E agora, João? São Cosme? Damião?
Santo Antônio dos amores perdidos, ou nunca achados
Prometo a ti reza, oração e até promessa
Se trouxer de volta, em sete dias
meu prelúdio.
Mas, se no fim só encontrares
marcas dela sobre o chão
toma nas mãos um instrumento
e desafina notas perdidas
numa orquestra de sentidos singular.
havia de a pôr nas costas
E desataria a seguir o mundo velho.
Mas não restou nem os nós com que prendia
o crime ao castigo.
Roubaram-me os pensamentos.
Pena leve. Dano imaterial de valor incalculável.
Roubaram-me os sentimentos.
Mas estes de nada valiam.
Roubaram-me ela.
E agora, João? São Cosme? Damião?
Santo Antônio dos amores perdidos, ou nunca achados
Prometo a ti reza, oração e até promessa
Se trouxer de volta, em sete dias
meu prelúdio.
Mas, se no fim só encontrares
marcas dela sobre o chão
toma nas mãos um instrumento
e desafina notas perdidas
numa orquestra de sentidos singular.
quinta-feira, junho 28, 2007
Coisas rimadas têm sentido
essa histeria cotidiana me cansa
de tal forma que chego a seguir as luzes,
placas, ruas tortas
só pra fugir da cidade que persigo.
carros me levam
mas carros me mordem?
não ligo
além do mais
corro
e fujo do que digo.
sapatos trocados, mal humor garantido.
alguém notaria?
de tal forma que chego a seguir as luzes,
placas, ruas tortas
só pra fugir da cidade que persigo.
carros me levam
mas carros me mordem?
não ligo
além do mais
corro
e fujo do que digo.
sapatos trocados, mal humor garantido.
alguém notaria?
sexta-feira, junho 15, 2007
Sinestesia
tom cor sabor
tudo em uma
compota
cubos de açúcar
doce feito algodão
doce feito à mão
como trançados de
palha da palmeira
palhaçada da vida
é lambuzar a boca
e manter os dedos limpos
a tarde inteira.
tudo em uma
compota
cubos de açúcar
doce feito algodão
doce feito à mão
como trançados de
palha da palmeira
palhaçada da vida
é lambuzar a boca
e manter os dedos limpos
a tarde inteira.
sábado, maio 19, 2007
Próprio Lar
Meu lugar
Não é aqui, nem lá.
É onde invento.
Resisto, existo
Calo e represento.
Mesmo que não represente
nada a outrem.
Mesmo que apresente
outrora a alguém.
Mesmo que me faça
presente. A ninguém.
Não é aqui, nem lá.
É onde invento.
Resisto, existo
Calo e represento.
Mesmo que não represente
nada a outrem.
Mesmo que apresente
outrora a alguém.
Mesmo que me faça
presente. A ninguém.
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